sábado, 26 de maio de 2012

Sr. Willian, o motorista


Segundo dados da OMS, 1,2 milhões de pessoas são vítimas fatais de acidentes de trânsito em todo o mundo. O Brasil fica com a parcela de mais de 35 mil óbitos por ano. Isso significa que nossos condutores de veículos são bem mais mortíferos do que o regime Castrista em Cuba, do que a guerra civil na Colômbia ou ainda os dez anos de massacre no Vietnã.  Na Colômbia, durante os 43 anos de guerra civil, morreram 32 mil pessoas; Fidel Castro, em 49 anos de poder totalitário foi responsável por 17 mil mortes e a guerra no Vietnã vitimou 40 mil americanos. 


Imprudência, desrespeito aos limites de velocidade, alcoolismo, são alguns fatores determinantes para esse quadro tão aterrador. Mas há um fenômeno pouco aparente e raramente analisado envolvendo as atitudes homicidas dos motoristas. Algo subjacente aos fatores observáveis superficialmente.


Assistindo ao vídeo Pateta no Trânsito, e analisando as reações do personagem Sr. Willian, é possível perceber  o quanto o patrimônio carro faz aflorar uma série de atitudes ocultas da personalidade do indivíduo. E nos convida a pensar sobre como uma pessoa adepta do "viva e deixe viver", incapaz de dedetizar a um inseto, ao guiar um automóvel, assume caracteres tão nocivos. 


O carro, a priori, um objeto utilitário, criado originalmente para encurtar distâncias, passa a conferir status social, aliado a uma eminente sensação de poder e superioridade. E enquanto ser superior, a rodovia passa a ser exclusivamente sua. Os espaços são seus. As pessoas que ousam dividi-lo são intrusas. Imaginemos essa postura egocêntrica multiplicada pelo número de veículos circulando nas ruas das pequenas e grandes cidades. Caos. Agressividade. Morte.


Pesquisas indicam que o maior número de acidentes de trânsito ocorrem em países  pouco desenvolvidos. Para além do fator educativo, existe o sentimento de posse em ascensão de um grupo social emergente. Juntamente com a aquisição de um bem tão desejável, se adquire também uma valoração sócio-econômica que  eleva o indivíduo a uma categoria elitizada. Tem-se a impressão de pertencimento, de inclusão. Eu não era, agora sou. Quem quiser sobreviver, que saia da frente.

Pateta no Trânsito - Senhor Volante


Um comentário:

  1. Olá.
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